Entusiasta do Encontro de Casais com Cristo, ECC, o padre Luiz Laudino estava “muito inspirado” ao escrever um detalhado artigo sobre “atos e fatos da história e vida” do padre Alfonso Pastore.

O apóstolo da família

Faço-lhe uma pergunta que não quer calar: Você sabe quem é o “Apóstolo da Família” no Brasil? Algo que confesso me chama a atenção e faz bater forte o meu coração. Temos muitos santos que norteiam a fé do povo brasileiro, no entanto, poucos do Brasil. Este, por sua vez, vejo como alguém que poderá vir a ser do Brasil, por todos os seus feitos e testemunho de fé e vida entre nós.

Sem medo, ouso dizer, que Pe. Pastore foi alguém com grandes sonhos, que se tornaram realidade e que está ao seu alcance, bem perto do seu coração. Cabe agora à você, estimado leitor, fazer uma escolha excepcional no seu roteiro espiritual, realizando uma viagem interior, para bem discernir com lucidez e clareza de pensamentos esta obra, que suponho seja um exercício evangélico de vida, com sentimentos de empatia e sabedoria, a fim de bem conduzir as ideias apaixonantes e inspiradoras do fundador do Encontro de Casais com Cristo, o ECC.

Padre Pastore fez uma trajetória invejável, construída com suor e lágrimas, contada e vivenciada por muitos casais oriundos de todo o Brasil, do “Oiapoque ao Chuí”, o que nos leva a perguntar de onde vem toda esta força gratuita de boa vontade? Vem de Deus, com certeza! Ele que chama, consagra e envia. Assim disse Jesus numa certa feita, “Ninguém vem a mim se o Pai não o atrair” (Jo 6, 44). Tudo isso traz sentido às razões que levam tantos casais a se identificarem com este jeito de ser igreja nos últimos tempos, aderindo a este Serviço Escola, em uma igreja plasmada na essência da igreja dos ribeirinhos ao doutor, ou seja, marcada com o seu estilo e mística, descendo às várias categorias e realidades.

O ECC foi e continua sendo um diferencial que prospera ao longo dos anos, com o mesmo fervor místico encantador, atingindo o mais alto nível de todas as expressões e categorias das ações pastorais, atraídas por uma forte paixão, que tira as pessoas do anonimato para o protagonismo de agentes de evangelização. Um verdadeiro enamoramento.

Quantas conversões e realizações de fé e vida inseridas na vida das dioceses e na sinodalidade, ou seja, caminhar juntos, em comunhão, missão e participação, termo este, bem atual. Quantas inserções de casais com Cristo na vida da Igreja, tendo os ramos desta videira ido além-fronteiras, chegando a Montreal no Canadá, onde tivemos a sua implantação.

Fatos que nos levam a compreensão de que as coisas de Deus nascem e crescem no tempo de Deus, como uma semente que é lançada no campo do coração humano e que, por um instante, fica oculta aos olhos. Todavia, de repente ela desperta e aparece como um raio de luz que desponta silenciosamente no infinito. Logo, alguém observa e contempla seus leves movimentos, quase imperceptíveis. Sem demora surge o caule da planta, depois as folhas, seguidas das flores e frutos, cada uma segundo sua espécie. Nada acontece fora do seu tempo. Mais tarde, quando amadurece, não falta quem queira desfrutar do seu paladar. Deste modo, com grande alegria e satisfação, a pessoa vai e colhe o fruto cultivado no quintal da sua existência, por assim dizer.

Nada acontece sem a vontade de Deus, portanto, não precisamos nos afobar, nem nos desesperar, mas é preciso estarmos atentos e vigilantes, em oração permanente, certos de que o que Deus prometeu, Ele fará. Sim! Deus fará a sua parte, no seu tempo, com bênçãos e graças por que Ele é bom. E, ainda que nada dependa de nós, Ele fará o melhor por nós, porque Ele é bom.

Neste sentido percebemos a graça de Deus, de maneira invisível na vida das pessoas que foram transformadas, em grande parte, pelos testemunhos dos casais, à luz do Evangelho. Tais como a importância do diálogo entre pais e filhos, uma maior compreensão entre os esposos, numa prática que gera mudança de vida, com uma presença maior na vida da Igreja, tornando-se mais efetivos nos grupos de vivência entre si. Isso significa na prática, saborear os frutos do amor que um dia foi semeado em seus corações, tornando-os cativantes e cativadores dos mesmos desejos que os levaram a vir a se apaixonar por esta mesma causa.

Causa esta que atraiu tanta gente a beber da mesma fonte espiritual, renovando assim o bom propósito de discípulos missionários, tornando-se protagonistas da sua própria vocação, casais evangelizando casais, por todo o Brasil.

Por detrás deste Serviço, temos uma multidão de gente que se dispõe a compor o quadro de organizadores de múltiplas tarefas, formando grupos de casais pós-encontro e casais dirigentes, até chegar a cúpula do ECC Nacional. Tudo isto é fruto de muita energia e engenharia, para não dizer, uma verdadeira sinfonia. Uma Orquestra executada entre dons e talentos, vistos por todos. Os seus elencos sobressaem em atitudes e compromisso. O Casal regente, na função de Coordenador, tem a missão de tirar o melhor das canções. Do legado deixado pelo seu fundador, cuja memória encontra-se em cada ato prescrito, tem o Serviço Escola ECC a finalidade de tornar e formar cada casal, evangelizadores da Escola de Jesus, mais conscientes e comprometidos com esta causa. Deve ser um reflexo producente na formação e promoção humana das famílias.

Uma evangelização que possa atingir todas as dimensões da vida, pois o ponto de partida do anúncio é o Deus que se encarnou na história humana para compartilhar as dores e alegrias do ser humano e lhe possibilitar a experiência de uma nova vida. “Nada do que é humano é alheio à evangelização” (EG 181).

Caro leitor, sem sombra de dúvidas, na sabedoria do seu fundador, que soube tirar do favo existencial a ternura e a doçura do mel, reflete o bom êxito de tudo o que ele plantou, nas diversas modalidades implementadas da primeira, segunda e terceira etapas do ECC. Uma explosão de vida.

Por estas e outras razões elencadas nesta obra, creio que muitos serão despertados a, com maior gosto, fazer esta viagem histórica, com muita luz e brilho nos olhos. E é com este entusiasmo e leveza que lhes apresento este livro que acabo de receber e ler, e que foi um presente de Natal. Uma luz que brilhou forte no coração e que, carinhosamente, foi intitulado como: “O Apóstolo da Família”, que não se esgota nestas páginas toda uma vida, um grande legado, onde vislumbramos um horizonte repleto de fé e esperança em cada coração que pulsa, nas lembranças e memória afetivas, em cada ato e gesto de bondade edificados em todo lar. Diz o jovem rico: “Bom Mestre, o que devo fazer para conseguir a vida eterna?” Jesus respondeu: “Por que você me chama de Bom? Só Deus é bom e mais ninguém”(Lc 18, 18-42).

Por isso, nos colocamos a caminho, afim de que esta memória não fique escondida ou presa num quartinho de lembranças, ou apenas nos contos e fatos, mas, para trazer para fora, para a vida, na vida ativa das pessoas de boa vontade. E é com este intuito que nos encorajamos a pôr os pés na estrada, mesmo sabendo que será um caminho longo a percorrer para apresentar PADRE ALFONSO PASTORE ao mundo, numa perspectiva honrosa e merecedora de aplauso, pela fidelidade e perseverança na missão e ao Evangelho de Cristo Jesus.

Suas obras foram um colírio para os olhos daqueles que choram e um alimento de esperança para quem deseja uma vida nova. Portanto, igualmente lhe digo, não deixe passar em branco este tempo que o Senhor reservou para você que ainda acredita nesta dádiva, assim como o seu fundador.

PADRE ALFONSO PASTORE, não perdeu tempo e o tempo todo falou o que pode do amor de Deus. O tempo todo, em todos os tempos fez-se ouvir, ouviu e viu, levando o amor de Deus a todos que quiseram conhecer este amor sem limites, em espírito e verdade. Por onde passou, fez somente o bem “ Eu me refiro a Jesus de Nazaré: Deus o ungiu com o Espírito Santo e com poder. E Jesus andou por toda parte, fazendo o bem e curando todos os que estavam dominados pelo Diabo; porque Deus estava com Jesus” (10,37).

No entanto, foi perseguido, “Bem-aventurados os perseguidos por causa da justiça, pois deles é o Reino dos Céus) Mt 5, 3-10, caluniado e até ameaçado, porém não deixou aniquilar-se ou abater-se pelos caprichos humanos, visto que sua causa não era ideológica e sim, teológica, ou seja, o Reino dos céus, que implica manter-se firme e perseverante na missão, em prol da vida até o fim. Assim foi Jesus, seu Mestre, obediente ao Pai até a morte, e morte de cruz. Seus ensinamentos foram sempre de exortação, assim como o profeta que diz: “Não tenhais medo, pois estou com você; não desanime, pois sou o seu Deus. Eu o fortalecerei e o ajudarei…” (Is 41-10), bem como em (Mt.10,26-33) quando disse Jesus, igualmente, para os seus discípulos: “Não tenhais medo”.

Padre Alfonso era um sacerdote de oração e ação, que contava sempre com a graça de Deus. Ao elucidar a prática do amor serviço, ensinou-nos a fazer o mesmo, a olhar e seguir em frente, a fim de que não esmorecêssemos no caminho e mantivéssemos a fé e a esperança acesa em nossos corações. Ele falou com brandura e ternura, mas também com bravura, quando teve que se colocar em defesa da vida e do Evangelho.

Foi um homem inquieto, presente e atento aos anseios e acontecimentos dos fatos da vida do povo. Deu voz aos sem voz e se fez voz dos sem voz, tornando-se um instrumento de esperança e paz das pessoas feridas e sedentas de Deus. Incansável e destemido foi fiel em seus propósitos, até o resto dos seus últimos dias de vida. Viveu na própria carne a Paixão de Cristo, conforme a desejou, sendo acometido por um forte câncer, pelo qual se submeteu em sacrifício espiritual, como forma de estar bem mais perto de Cristo no sofrimento, oferecendo o seu sofrimento pela santificação das famílias e dos Sacerdotes. A sua participação dos sofrimentos de Cristo nos leva a reportar ao que nos fala Paulo aos Coríntios (2 Cor 1,5): “com efeito, à medida que em nós crescem os sofrimentos de Cristo, crescem também por Cristo as nossa consolações”

Sua vida foi uma inspiração. Como ninguém aplicou métodos e instrumentos pedagógicos, cuja mística proporcionou a formação de um exército de casais para a Igreja de todo o Brasil.

Soube ouvir os apelos do Senhor, que diz: “Vem e segue-me”(Mt 19,21). Compreendeu o que significa ser obediente à Palavra do Mestre, que nos manda lançar as redes em águas mais profundas, fazendo chegar ao coração humano e fez a diferença para muita gente por este Brasil afora. Falou de Jesus com categoria, alegoria, alegria, criatividade e sabedoria, como ninguém. Suscitou as pessoas a se comprometerem com humor e ardor, às vezes com temor, a fazer um caminho diferente do seu dia a dia, conhecendo a Igreja por dentro das suas estruturas, com maior vigor pela causa.

A trabalhar não por um bem terreno e sim, por um bem eterno e duradouro. Disse Jesus: “não trabalhai pelo pão que perece, mas pelo pão que dura para a vida eterna” (Jo 6, 27), ou seja, falava do Reino dos Céus. Assim, textualmente, dizia Padre Pastore: “Se não for para ir para o céu, não vale a pena viver”. Sob esse lema, este foi PADRE ALFONSO PASTORE, em cores, contos e fatos.

Padre  Luiz  Laudino

  • Diretor espiritual diocesano do ECC na Arquidiocese de Londrina entre 2004 e 2008

  • Diretor espiritual do Regional Sul II do ECC (Paraná) entre 2010 e 2018

  • Coordenador da equipe que atualizou os subsídios teológicos e os temários para os círculos de estudos domiciliares do ECC

  • Fez parte da equipe que implantou o ECC no Canadá em 2018

  • Pároco da Paróquia Imaculada Conceição em Londrina-PR